Olá!
Aqui estou eu a tentar cumprir a promessa de escrever um mail a dar notícias...espero que a inspiração do momento seja suficiente!
Antes de mais, quero começar por agradecer às pessoas que se tentaram despedir de mim na véspera da minha viagem (não me esqueci)...Realmente estava muito mal-disposta e debilitada para me conseguir despedir em condições.
Mas pronto, vou tentar fazer uma reconstituição do que têm sido estes dias:
Domingo à noite ( dia 1 de Março):
comecei a sentir-me muito indisposta no caminho para a residência, e o tempo de espera até ser hora de ir para o aeroporto foi entusiasticamente repartido entre as tentativas de descanso e os vómitos como não me lembro de alguma vez me ter acontecido...
2ªfeira (dia 2 de Março):
Como o avião era às 7h50, saimos da residência ( o Gonçalo estava comigo) algures entre as 5h e as 5h30 rumo ao aeroporto de Lisboa! Eu ainda estava na esperança que a farmácia de lá estivesse aberta, mas não...enfim, encontrei a Inês fizemos o check-in e partimos rumo a Amesterdão! No avião ofereceram-nos o pequeno-almoço...iogurte e um pão com salsicha e ovo (se não me engano). Claro está que preferi continuar com a minha água com açúcar (tudo menos ter de ir para a casa-de-banho do avião!) e fui repartindo o pequeno almoço ao longo do dia. Chegámos cerca das 11h na hora local, a viagem tinha corrido bem, o céu deixava espreitar o sol e andámos que nos fartámos até ao sítio onde se recolhe a bagagem.
No momento de pedir informações de como ir para a cidade Enschede, surgiu a primeira dificuldade...é que a pronuncia ficava muito aquém daquilo que nós tentávamos dizer! Não se diz Enschede mas sim qualquer coisa do género "Enxrrédê" (Inês corrige-me se fôr preciso!). Quando lá nos entendemos com as informações, comprámos o tal cartão dos 50% de desconto em viagens de comboio, que durante 1 ano serve para o dono do cartão e mais 3 acompanhantes!!! As duas bem contentes, embarcámos numa viagem de comboio de mais de 2 horas, ainda trocámos de comboio e não nos perdemos. Quando chegámos o mais chato foi mesmo ter de arrastar as malas e andar a perguntar como se iria para a residência Macandra na rua Emmastraat...Mas lá conseguimos, fomos recebidas pelo "housekeeper", vimos os nossos quartos (individuais, com casa-de-banho privativa e frigorífico próprio) e vimos que alguém tinha deixado utensílios de cozinha naqueles que agora seriam os nossos armários da cozinha, logo a nossa primeira preocupação foi conseguir chegar a pé ao supermercado mais próximo para comprarmos o que precisávamos e comidinha claro Devemos ter sido das poucas pessoas que logo no primeiro dia na Macandra se puseram a cozinhar, lol. Começámos logo a competir com os chineses pelo uso do lava-loiças e dos bicos dos fogões, lol.
3ªfeira (dia 3 de Março):
Tinhamos as nossas prioridades bem definidas, por isso levantámos-nos cedo para descobrir onde seria a universidade. Tivémos sorte porque à saída da Macandra cruzámos-nos com a Rita, de eng.ª Biomédica do IST, que nos acompanhou até à paragem de autocarro onde poderiamos apanhar o bus para a universidade, e ainda disse ao motorista que era para a Bastille (paragem junto ao edifício onde está a associação de estudantes, gabinete de Relações Internacionais, etc) Lá chegámos, encontrámos a associação, e o momento alto foi mesmo quando nos disseram que nos iriam oferecer um SIM card holandês com 2€ e para isso bastava-nos apenas preencher uma folha Esta euforia pode ser explicada pelo facto de não nos ser possível carregar os telemóveis nos multibancos (tal como fazemos a toda a hora em Portugal), o roaming sair caro como tudo e de qualquer forma nós queríamos mesmo arranjar um número holandês para ficar mais barato. Ah, lá na associação ainda nos deram um envelope com toda a informação que possa interessar a um ERASMUS (festas inclusivé, claro)!
O outro desafio do dia era arranjar net, porque precisávamos de mandar mail ao Dr. Marcel Karperien a dizer que já tinhamos chegado e era para marcar reunião. Como não tinhamos net ainda, quem mandou esses mails foi o Gonçalo :)
Regressámos à cidade (o Campus Universitário fica entre duas cidades - Enschede e Hengelo- tipo a 20 min de bicicleta de cada uma), se não me engano foi nesse dia que almoçámos lá num fast food situado numa rua perto da estação. Outro desafio...estava tudo em holandês, não conseguiamos escolher porque não sabiamos o que cada coisa tinha, mas a empregada resolveu as dúvidas quando disse que só havia um tipo de hamburguer...lá pedimos esse e refrigerantes. Fantástico foi mesmo ver que as pessoas lá almoçavam apenas uma caixa de batatas fritas no momento com um molho por cima!!!A parte mais saudável daquele sítio era que a fruta era grátis (a palavra é igual em holandês) por isso era só pegar :)
Ainda nesse dia descobrimos uma chinesa na Macandra que nos iria alugar a net por 10€/mês. Eu tive logo a minha wireless, a Inês teve de deixar para o dia seguinte pq tinha de comprar cabo que ligasse do quarto da chinesa no 4ºandar para o dela no 3ºandar. Se vissem, esta residência tem um ar velho e montes de cabos que passam de uns andares para os outros e, que nem consigo imaginar como eles terão feito isso porque o edifício não é uma caixinha de fósforos, ao invés disso tem um bloco principal, ao qual estão ligados outros dois blocos um pouco mais baixos e desalinhados! Impressiona....
4ªfeira (dia 4 de Março):
De manha lá tivemos o nosso meeting com o Dr. Marcel, conhecemos o pessoal de lá do grupo de cartilagem, conhecemos maior parte dos portugueses que lá trabalhavam e ainda tivemos uma breve apresentação pelos laboratórios. Mais tarde, soubemos por uma das portuguesas que quando lá chegámos o pessoal começou a comentar " as portuguesas já chegaram e são tão pequeninas" lol
Á tarde fomos com o Syafri (um rapaz indonésio que a Rita nos apresentou) conhecer o centro da cidade e corremos lojas que nos fartámos!
Nesse mesmo dia às 19h estávamos de volta universidade para a nossa primeira lição de holandês, quer dizer antes disso tivemos outra aventura porque havia jogo de futebol da equipa da cidade e claro está que nao sabiamos, por isso foi grande a surpresa quando vimos o bus em frente à entrada principal do Campus (o check-point Charlie) a dar a volta para trás e nós quase em cima da hora do curso!!! Saímos atrás das outras pessoas e foi seguir em frente, porque o Campus é bem bem grande. Ficámos depois a saber quem em dias de jogo, por volta da hora os autocarros não entram, mas apenas o pessoal que vai assistir ao jogo pode lá ir estacionar, porque há autocarros específicos para ir buscar o people e deixá-lo lá novamente depois disso.
A primeira aula de holandês...que posso eu dizer?! Oh Telmo se achas que o italiano é complicado eu troco de muito bom grado contigo pah! Esta língua é uma mistura de tudo, junta-se-lhes uns "rrrr" quase em qualquer que seja a palavra e tá tudo estragado!
5ªfeira (dia 5 de Março):
Nestes primeiros dias fomos procurando saber de bicicletas em 2ª mão para comprar, pois aqui faça chuva ou sol toda a gente anda de bicicleta para todo o lado e os ciclistas gozam de prioridade em muitas situações. Há ciclovias em todo o lado, semáforos específicos para as bicicletas, em suma tá tudo organizado para facilitar a vida a quem anda de bike. Digamos que da mesma forma que aí há parques de estacionamento para carros, aqui também os há mas é para as bicicletas!
Entretanto, chegámos à conclusão que apesar de toda a gente aqui ter uma bicicleta (nem que seja na garagem) quando perguntamos onde comprar uma usada, eles têm sérias dificuldades em nos indicar um sítio. É como se sempre tivessem tido a sua bicicleta! Digamos que encontrar as nossas bikes foi uma tarefa bem mais complicada do que seria de esperar, pelo menos do que eu estaria à espera...Mas neste dia, já após pesquisas num site em holandês (com ajuda dos nossos colegas claro, pois de outra forma teríamos muito provavelmente comprado bikes para crianças, é verdade!), telefonemas que não deram em nada, uma molha e uma grande caminhada, lá encontrámos ajuda num funcionário da TNT que nos encontrou abrigadas na entrada de um prédio e indicou 3 sítios ali perto que tinham bicicletas à venda :)
Logo no primeiro sítio encontrámos as nossas! Comprámos as duas por 65€, no total, a um simpático casal de velhotes holandeses. Ele não sabia inglês, nós muito menos holandês (nem sequer o conseguimos fazer perceber que erámos de "Porturrál" !), mas a senhora percebia qualquer coisa, por isso, entre gestos e palavras lá adquirimos as nossas bikes! E viemos "todas felizes e contentes" com elas para casa.
Como isto já vai bem longo, vou só introduzir umas últimas notas:
-Como o telm velho que levei a mais deu o berro cheguei à Phone House daqui dei-o e comprei um Samsung B-300 por 10€! ( tipo já a cores, com rádio FM e auriculares incluídos )
-No sábado o cadeado velho e catita da minha bike (que eu tencionava levar cmgo quando regressasse) deu o berro, ou seja, ficámos com as duas bikes presas uma à outra de sábado à noite até 2ªfeira à tarde! Nesse dia voltámos a ir de bus para a universidade...Entretanto, o "housekeeper" cortou a corrente e já temos as bikes de volta
-No fim-de-semana também não conseguia tirar a tampa que cobre a bateria (no telm novo) para experimentar um SIM card mais barato. Desde os chineses, ao rapaz do Gana, a Inês, o rapaz do Irão, o da Etiópia, todos, tipo todos tentaram abrir aquilo e nada!!!! Portanto, lá fui eu na 2ªfeira à Phone House a dizer que não conseguia abrir aquilo e imaginem o meu ar de parva quando o vendedor abre aquilo num segundo ...Afinal era uma questão de pressionar o ponto certo.
Com isto tudo já tenho um cartão bem mais barato
-Outro ponto de interesse é que os telemóveis holandeses estão bloqueados para uma rede apenas durante um ano.
Para concluir, a cidade é simpática, as pessoas também, maioria fala bom inglês, há um grande mercado na praça central todas as 3ª feiras e sábados, os holandeses terminam o trabalho cedo (isto é um factor de stress para quem está habituado a supermercados e lojas abertos até quase À meia noite ), há campos por todo o lado (a Macandra é mesmo ao lado de um parque muito giro), os gansos e patos andam à vontade lá no Campus, aquilo é enorme e com muito boas condições (tipo temos livre acesso à máquinas de café do departamento, nas quais me farto de tirar "EXpressChoc"'s), as pessoas aqui almoçam sandes (algumas com combinações bem estranhas), os laboratórios são de acesso restrito mas eu já tenho o cartão de acesso , há lojas com coisas muito muito baratas ( não aconselháveis a consumistas!!!) e a maquilhagem é ao preço da chuva! Por isso as holandesas já sendo bonitas, andam sempre maquilhadas (é a explicação mais lógica)...
Pronto, até aqui foi copy paste do que já vos tinha enviado, mas entretanto lembrei-me que ainda não tinha contado que é nesta cidade que está instalada a fábrica da cerveja Grolsch! yah ;) Só regalias...
Bjinhs
Andreia
sábado, 14 de março de 2009
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